sábado, dezembro 09, 2006

Naquela manhã, quando estávamos os dois perto daquela janela de grades, onde o sol passa com dificuldade, o Manuel* confessou-me:

- Tenho poderes!...

- Que poderes, Manuel?

- Os de Deus!... E vou-te dar um carro!

(…)

- Ouvi-o dizer que amanhã me vou embora…

- Hum… Quem te disse que te ias embora?

- Ele… o Deus!

- Então, mas o Deus não eras tu?

- Não! Eu tenho os poderes iguais aos dele, mas eu não sou ele… Somos Dois!…

(…)

Se acreditar num Deus é difícil, quanto mais em dois! Mas, como negar a sua existência, quando Ele nos promete baixinho ao ouvido que amanhã o sol deixará de ter sombras?

[*nome fictício]

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