quarta-feira, dezembro 27, 2006

Sabe-me.

Sabe a verde, a cegonhas, a árvores. A árvores, a cegonhas, a verde outra vez. Sabe a fumo. Sabe delicadamente a fumo. Sabe deliciosamente a fumo e a frio na ponta do nariz. No nariz, no cabelo, nas mãos inteiras. Nos corpos gelados inteiros. Sabe a vozes altas, a gargalhadas imensas, às saudades que vão morrendo lá atrás. Sabe a lareira, a círculos vermelhos e elipses vermelhas e círculos vermelhos e elipses vermelhas na ponta de um pauzinho tosco de madeira. Sabe a torradas e bolotas. A pão verdadeiro. A azeite amarelo a sério. A azeitonas pequeninas e pretas. A amêndoas, a chocolate, a mel. A frutas a fingir. A caramelos e chupas-chupas num saco de plástico transparente. Sabe à manta de retalhos da minha avó. Vermelho, azul, cor-de-laranja, verde, roxo, amarelo e violeta. Sabe aos teus olhos tão grandes. Sabe às mãos enormes e fundas do meu avô. Ao abismo de coisas que tens nas mãos. Ao riso do meu avô. Ao assobio sempre igual do meu avô. Sabe a avô. Sabe tanto a avô. Sabe mesmo mesmo a avô. Aos teus abraços apertados como se não existisse amanhã. Tu dizes cada vez tenho mais saudades. E eu sorrio e eu rio e desenho círculos vermelhos e elipses vermelhas e círculos vermelhos e elipses vermelhas na ponta de um pauzinho tosco de madeira. E cada vez tenho mais saudades. Como se não existisse amanhã.


E juro que me sabe mesmo a vermelho, azul, cor-de-laranja, verde, roxo, amarelo e violeta.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

... a que sabe o Natal?

sábado, dezembro 23, 2006

=)

terça-feira, dezembro 19, 2006

Até Ele sabe que são diferentes...

(num Hospital Júlio de Matos perto de si)

António - Olha quem vem ali... O meu amor!...

Eu - Amor não, António! O meu amor é outro...

António - Pronto... Está bem... Então és a minha paixão!

Eu - (e há falta de resposta, só me pude rir)

sexta-feira, dezembro 15, 2006

... e agora?

.
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Agora?...
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… um telhado e um colchão.

(E frio.)

domingo, dezembro 10, 2006

(PS...)

… Eu acredito no Manuel, que está sozinho.
Para o Manuel, um é uma multidão
e uma voz são todas as vozes que ele pode escutar.

Para o Manuel, um são dois e dois são mil…,
e mil são mais que suficientes
para fazer de uma ideia imaginada uma certeza um pouco menos ácida.

(… porque no dia em que encontrou o mel no fundo do frasco de vidro transparente, entranhou-se no gesto essa estranha maneira de existir para o mundo e o seu (d)eu(s) deixou-se ficar…).

sábado, dezembro 09, 2006

... e que segredos é que a tua almofada tem para contar?

Naquela manhã, quando estávamos os dois perto daquela janela de grades, onde o sol passa com dificuldade, o Manuel* confessou-me:

- Tenho poderes!...

- Que poderes, Manuel?

- Os de Deus!... E vou-te dar um carro!

(…)

- Ouvi-o dizer que amanhã me vou embora…

- Hum… Quem te disse que te ias embora?

- Ele… o Deus!

- Então, mas o Deus não eras tu?

- Não! Eu tenho os poderes iguais aos dele, mas eu não sou ele… Somos Dois!…

(…)

Se acreditar num Deus é difícil, quanto mais em dois! Mas, como negar a sua existência, quando Ele nos promete baixinho ao ouvido que amanhã o sol deixará de ter sombras?

[*nome fictício]

... acredito que o mundo sobrevive bem sem ele.
(Vai dai, que importa se existe?)
... Mas lá existir existe, ou não havia tanta gente a falar para ele. Nem que ele seja só uma crença de todas essas pessoas. E isso faz com que exista. E torna-o poderoso.
Ainda assim, não creio que haja Deus em mais que crença de vontade. Mas também essa é a mais importante, é a que nos faz mover (ou devia...).

Para mim, agora, talvez sejam os sentimentos que tenho pelas pessoas que a mim chegam. É neles que me confio. Neles, no silêncio e no escuro.
... invento-o todos os dias .


E hoje, por exemplo, é um bocadinho de mel (um bocadinho mesmo pequenino), no fundo de um frasco de vidro transparente, num armário que cheira a madeira velha e a rebuçados de mel, numa cozinha tão grande tão grande (tão tão grande) que não existe já, a não ser quando fecho os olhos com força e tu me perguntas sobre o meu (d)eus.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

... o (t)eu.
... que (d)eus?
… acreditas em Deus?

domingo, dezembro 03, 2006

[pausa para café]

Já há brilhos por todo o lado! Na minha esquerda, mas também no meu lado direito, sou encandeada por luzes de época - a natalícia. (...) Nos (M)etros 'percorridos' todas as manhãs, reparo nos rostos que se escondem atrás das golas-altas e com eles, as 'luzes' e os 'brilhos' dos sorrisos.

Hoje, Domingo de estudo, também não vi ninguém sorrir e, curiosamente, as golas-altas não me saltaram à vista. Distracção ou incoerência de discurso, aconteceu-me! Concluo, portanto, destas minhas letras ordenadas segundo uma lógica sem sentido, que este Domingo, desenhou-se no meu calendário como um dia cinzento e vazio de emoções positivas. Se me preocupa? Claro que não! É só mais um dia que se dilui num Dezembro que chega devagar (até demais).


O encanto de Hoje, resume-se às bonitas músicas que perturbam o silêncio instalado no meu quarto...



[Nota-se que a matéria que está atolada em cima da minha secretária é de Saúde Mental? Não, pois não?]